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sábado, 30 de janeiro de 2010

[One-shot] Oyasumi Honey

- AH! - Era novamente o grito de Ruki que preenchia o quarto, pela terceira vez na mesma madrugada.
Aquilo estava tornando-se realmente irritante.
Preferia passar a noite em claro a voltar para o maldito pesadelo, que teimava em permanecer em seu inconsciente, não importava quantas vezes acordasse. Porém obrigava si mesmo a voltar a dormir, pois precisava descansar. Teria um live em poucas horas, o primeiro de uma série, da nova turnê de sua banda.
O loiro passara a mão por seus cabelos, frustrado, levantando-se em direção ao banheiro da suíte do hotel onde se hospedava. Não se deu o trabalho de acender as luzes, já era muita sorte não ter acordado seu companheiro de quarto, guitarrista de sua banda e melhor amigo, Uruha. O mesmo que por sua vez dormia tranquilamente, na cama oposta a de Ruki.
Olhara no espelho, assustando-se com a visão na penumbra. Estava acabado, com olheiras fundas e seus olhos eram apenas fendas, mal lhe permitindo ver o castanho escuro e profundo. Os cabelos platinados encontravam-se desordenados, de forma que nem seus tão leais gorros e chapeis dariam jeito.
Lavou seu rosto com água morna, e então pegou um pacote de biscoitos em sua mesa de cabeceira. Talvez se comesse um pouco conseguiria dormir de vez.
Deitara-se em sua cama novamente, comendo um biscoito atrás do outro. Olhara para o ser da cama ao lado, invejando-o em seu sono profundo. Seus olhos, que sabia serem de um tom castanho mais claro, encontravam-se terminantemente fechados, com madeixas cor de mel espalhadas, de forma delicada. Os lábios rosados e bem feitos estavam semi-abertos, de forma a possibilitar sua respiração lenta e ritmada.
Um leve rubor subiu à face de Ruki ao reparar o quão bonito Uruha era, mesmo dormindo. Era de se entender o porque havia proposto que o mesmo adotasse esse nome.
Já fazia algum tempo, percebera que o carinho que sentia pelo amigo havia crescido. A intimidade aumentara, e consigo trouxe uma sensação estranhamente boa. Sentia-se muito feliz com sua presença, porém cada simples olhar o fazia corar, e seus sorrisos criavam borboletas em seu estomago. Queria tê-lo perto sempre, mais perto. Porém sua timidez e orgulho impediam uma sequer palavra de passar por seus lábios.
Parara de comer, olhando pensativo para o loiro, até adormecer novamente.

Encontrava-se deitado em um chão gélido, a escuridão tomando completamente o lugar, que desconhecia. O silêncio era incomodo, não era capaz de sentir sequer um rastro de vida. Levantara-se, assustado, chamando inutilmente por alguém. A única coisa que conseguia enxergar era a si mesmo, em meio a um negror interminável. Não importava onde fosse, o quanto corresse, apenas conseguia sentir era a si mesmo. Porém, o escuro aumentara, por mais impossível que aparentasse, e então o vazio de fora instalara-se em seu peito, sugando-o lentamente para o negror, que mais parecia um vortex, sem destino final. Tentava gritar, mas sua voz já não era ouvida. Suas pálpebras fechavam-se contra sua vontade, e o frio paralisava seus pulmões, até que...
- Ruki.
Uma voz grave e conhecida pronunciara seu nome, e então sentira o calor voltar a seu corpo, através do que parecia ser um outro corpo, maior e inacreditavelmente confortável. Sentia a mobilidade voltar, e o escuro imbatível dissolver-se rapidamente.
- Está melhor?
Abrira os olhos, deparando-se com um rosto de porcelana e olhos castanhos gentis destacando-se na penumbra. Sentia seu rosto ferver ao perceber a presença de Uruha, sentado na cama ao seu lado, a mão quente e macia pousada em seu ombro direito.
- Estava gritando, de novo. - O loiro sorri ao ver a expressão encabulada e surpresa do menor. - Deve ter sido um pesadelo horrível.
- V-você escutou das outras vezes..? - Ruki perguntava, ruborizado, evitando o olhar penetrante de Uruha.
- Sim, uma vez só. - Ele respondera, olhando preocupado. - Foram quantas vezes nessa noite?
- Com essa, 4. - O loiro menor esfregava os olhos, ainda mais inchados. - Desde 1:30.
Olhara no relógio em cima da cabeceira, que batiam 4:45 da madrugada. Faltavam menos de duas horas para que precisassem levantar e Ruki sentia-se pior do que estaria se tivesse passado a noite em claro, como fez na ultima, graças à longa viagem.
- Chegue para o lado. - Uruha pediu, empurrando-o gentilmente. Puxou o edredom branco e deitou-se, cobrindo a si e a Ruki, que o olhava, atônito. - Oyasumi.
Sorriu, deitado de frente para um chocado e ruborizado Ruki, e então fechou os olhos. Percebera o olhar assustado do loiro sobre ele durante alguns minutos, mas logo sentira um pequeno corpo aproximando-se. Passou os braços por seu tronco, aproximando-o mais, envolvendo-o carinhosamente, e então adormeceu.
O Sol atravessava as cortinas, irritando os olhos de Ruki, que os abrira, desistindo de lutar contra a claridade imponente. Via apenas uma camiseta branca, braços quase da mesma cor e longas madeixas cor de mel, que faziam cócegas em seu rosto. Lembrara-se da madrugada passada, dos pesadelos irritantes e horas mal dormidas, até Uruha envolve-lo num quente e confortável abraço.
Sentia-se muito melhor, mal podia acreditar que a poucas horas atrás acordava gritando e suando frio, a exaustão pesando sobre seu corpo como chumbo. Era como se isso tivesse sido a semanas atrás e agora tivesse dormido um dia inteiro.
Sorrira, admirando novamente o rosto calmo e belo de Uruha, dessa vez a tão pouca distancia. Então vê os lábios do mesmo se curvarem em outro sorriso. De repente percebe um pequeno filete castanho, admirando-o sorrir, e afunda o rosto no edredom branco, sentindo-o arder febrilmente.
O loiro solta uma risada rouca, bagunçando os cabelos platinados do menor.
- Ohayo Ruki-kun, que bom que dormiu bem.
Ruki não respondera, apenas olhara fixamente a camiseta branca do loiro, que ainda sorria.
Ambos ouviram batidas fortes na porta do quarto, acompanhadas da voz tensa de Reita chamando-os.
- Uruha, Chibi, estão vivos? Anda, temos meia hora para estar no carro.
- Acho que dormimos demais. - Uruha disse, sentando-se na cama.
Ruki sentou-se em seguida, olhando o relógio. Realmente, estavam muito atrasados.
Levantou-se rapidamente, indo direto ao banheiro enquanto o maior arrumava as coisas na mala, agilmente para seu ritmo.
Tomou banho e vestiu-se num tempo recorde, pois já tinha separado o que precisaria usar. Assim que saiu do banheiro, foi a vez de Uruha, e então logo os dois juntaram-se ao resto da banda, seguindo em direção à casa de shows para um longo dia.
Como previsto, o dia fora realmente cansativo. Ensaios até o fim do dia, e então deram início aos preparos para o live. Todos já estavam vestidos, maquiados e para a surpresa de Ruki, conseguiram dar um jeito em seu cabelo. Podiam escutar os gritos vindos da platéia, já lotada. Reuniram-se desejando sucesso a todos, finalizando com o costumeiro grito e o sentimento de "vamos dar o melhor de nós", não só individualmente, mas como um conjunto, afinal seu trabalho consistia-se nisso, trabalho de equipe.
Entraram no palco, e a multidão, já animada, foi a loucura. Começaram com musicas animadas, Aoi sempre divertido, com suas dancinhas e Ruki usando todo seu potencial de voz, de forma a soar melhor que as próprias musicas gravadas. Reita e Kai em perfeita harmonia e Uruha, que inicialmente aparenta um tanto tenso a cada live, encontrava-se bem animado e um tanto sensual. Ruki controlava-se , evitando o olhar do guitarrista, mas o mesmo aproximara-se, passando o braço pelos ombros do vocalista e depositando um beijo em sua bochecha. Ruki sorrira para ele, deixando escapar um pequeno rubor, que desejava não terem visto. Os fãs, na maioria mulheres, gritaram ainda mais alto, chamando seus nomes e pulando. Uruha não era de fazer essas coisas; Ruki lembrara-se que antes do show o loiro ganhara uma garrafa de vinho italiano, ali estava a resposta.
Devia ter bebido um pouco além da conta. Mas, mesmo no meio do palco, Ruki não deixava de felicitar-se internamente com isso.
Ao final de duas horas, o show termina e, exaustos, os cinco são levados de volta ao hotel, onde passariam a noite para, no dia seguinte, seguir viagem. No carro, Uruha ria alto e falava besteira, enquanto os outros o acompanhavam, rindo e brincando, apesar do cansaço; exceto Kai, que quase desmaiava apos todo live. O moreno dormia ali mesmo, não importava a balburdia que estivesse.
Chegando no hotel todos foram para os respectivos quartos. Reita ajudara Kai a se arrastar até o quarto que dividiam, e Aoi trancara-se no seu, planejando trabalhar em mais musicas antes de dormir. Uruha e Ruki fizeram o mesmo, o maior levando na mão o resto do vinho e uma grande maleta, com os outros presentes dele e do baixinho.
Acabaram por terminar juntos a bebida, que era realmente gostosa. Ruki sentia o efeito vir rapidamente, apesar de ter bebido pouco. Uruha ria da expressão do menor ao matar o ultimo gole da garrafa, tacando-se na cama do maior, sorridente. O quarto encontrava-se iluminado apenas pelos abajures, que davam um ar confortável ao lugar.
- Ruki-kun é tão fraco para bebida - Uruha ria, sentado ao lado do loiro - É divertido ver você com essa cara de bobo.
- Shh, não sou bobo - O pequeno forçou uma expressão emburrada, estragando com uma risada alta. - Uru-kunn.. Tem mais vinho?
- Não, só sake - Uruha riu, mostrando um sorriso malicioso - Mas não vou abrir agora, temos que dormir, se não, ao invés de perder a carona, vamos perder o vôo.
- Ah porra, não quero dormir - Ruki xingou, sentando-se ao lado do loiro, que ria incansavelmente.
- Vamos lá, se não vai ter pesadelos de novo. - O loiro alto levantou-se, virando e inclinando-se de frente para Ruki. - Oyasumi.
Uruha depositou um beijo em sua testa, e então olhou novamente nos olhos cor de café do pequeno, que corara suavemente.
Passou os dedos finos pelo rosto de Ruki, segurando levemente seu queixo, e então aproximou seu rosto, juntando os lábios nos quentes e macios do loiro, demoradamente. Um simples toque de lábios, com gosto doce e leve teor de álcool.
Separou-se novamente, levantando e ameaçando virar-se, demorando-se, porém, no olhar do vocalista. Este, que ao perceber o fim do contato físico, levanta-se, puxando o braço do maior, que pára.
- Não saia mais de perto de mim.- A voz rouca do pequeno pedia, numa declaração indireta - Por favor.
Uruha não disse nada, apenas puxou carinhosamente o braço que Ruki segurava, um pequeno sorriso formando-se em seus lábios. O loiro menor então avança, colando seu corpo no do maior, selando seus lábios nos dele novamente. Uruha passara uma mão novamente pelo rosto do pequeno, dessa vez parando em sua nuca e a puxando para mais pero, aprofundando o beijo, provando o gosto quente da boca de Ruki, que o respondia com intensidade.
Os braços do menor passavam por seu tronco e ombros, puxando-o mais para perto de si, caminhando despercebidamente para trás, enquanto o maior o enlaçava num forte abraço. Sem querer os dois acabam por tropeçar, caindo novamente na cama onde estavam momentos atrás. Ruki ri, sorrindo radiante para o belo homem de pele de porcelana, que o envolvia completamente com seu corpo, prensando-o carinhosamente no colchão macio.
Roupas, lençóis e uma garrafa vazia espalhados pelo chão formavam um rastro, que tinha como destino uma cama de solteiro. Sobre ela, dois corpos nus - cobertos apenas pelo que restava da roupa de cama – abraçados, trocando leves carícias e beijos, naquela madrugada tão calma.
Para Ruki, aquilo era melhor que qualquer boa noite de sono. Estar ali, envolvido pelos braços quentes no homem que tanto mexia consigo, que tanto lhe proporcionava sensações intensas e boas, e pelo qual as borboletas em seu estomago batiam as asas incessantemente, vivas e alegres como nunca.
- Queria que tivesse pesadelos mais vezes. - A voz rouca e grave de Uruha sussurrava em seu ouvido.
- Eu não. - Ruki virara-se, olhando para o loiro, com a cabeça apoiada em seu peito e os dedos brincando com seus lábios. - Significaria que você não está aqui para transforma-los em sonhos.
Uruha sorri radiante, olhando para o teto; Desta vez era ele quem corava.
- Eu.. - Ruki começara, interrompido pelo loiro maior, que selara os lábios nos do pequeno repentinamente.
- ..Te amo. - Uruha completara apos interromper o beijo.
Sorriram um para o outro, as testas coladas, e então beijaram-se novamente. Uruha virou-se, fazendo Ruki rolar para baixo de seu corpo, e então se deitou sobre o pequeno, de forma carinhosa e protetora. Puxara a mão do loiro, beijando-a delicadamente, segurando-a perto de seu rosto, enquanto deitava a cabeça em seu ombro, fechando os olhos.
- Oyasu. - Ruki sussurra de forma melódica, beijando sua cabeça, com o leve aroma e textura macia dos cabelos cor de mel sobre seu rosto, por fim fechando também seus olhos.
~


- Ruki! Uruha! Vamos perder o vôo, faltam 5 minutos! - Reita esmurrava a porta, gritando estressado.
Era dia novamente, o sol batia forte e iluminava o quarto vazio e bagunçado. A porta do banheiro estava trancada e a luz acesa. Pequenas risadas podiam ser escutadas, mas o baixista não era capaz de perceber.
É, o vôo teria que esperar.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

[One-shot] More Than Best Friends

Bom, é apenas de um capítulo, espero que gostem <3
More Than Best Friends ~
- E aí, onde vamos agora? – indagou Uruha aos outros enquanto retiravam-se do bar.
- Estou sem ideias. – respondera Ruki, chutando uma pedrinha alheia que havia se desprendido do asfalto.
- Idem. – Kai e Reita responderam em uníssono.

Passou-se apenas dois minutos, mas como o silêncio predominava, parecia ter passado muito mais tempo.

- Acho que vou para casa. – A voz de Aoi se sobressaiu no silêncio repentinamente quebrado.
- Se é assim, acho que também vou. – Uruha deu de ombros.
- Então acho que todos vamos. – completou Ruki. – Amanhã temos um show a fazer.
- Hai. – Concordaram todos.
- Ja ne, minna-san. – Kai sorriu, e assim, os gazeboys seguiram seus caminhos distintos.

Aoi e Uruha estavam juntos, afinal, suas casas eram bem próximas uma da outra.
Andavam lado a lado pelas ruas ainda movimentadas de Tokyo – mesmo com o relógio marcando três da manhã -, mas não se atreviam a trocar nenhuma palavra.
Enquanto caminhavam, uma loja em particular chamou a atenção de Uruha.

- Ehh, Aoi-kun! – Os olhos de Uruha brilhavam enquanto, freneticamente, ele puxava a blusa de seu companheiro.
- O que foi? – indagou Aoi, não compreendendo a repentina agitação e felicidade no rosto de Uruha.
- Olha, olha! – ele pulava e apontava para a loja a poucos metros de distância à sua frente, exatamente como uma criança faria com seu responsável.

Mas, no caso de uma criança, provavelmente a loja seria de doces ou brinquedos, só que no caso de Uruha, não poderia ser nada além de uma loja de bebidas alcoólicas nacionais e importadas.
Aoi suspirou e balançou a cabeça lentamente de um lado para o outro, reprovando-o.

- Você quer ir até lá? – Uruha assentiu, entusiasmado. - Ok.

Os dois caminhavam rapidamente e Aoi quase se estatelou no asfalto, pois Uruha havia o pego pela mão e o puxado com uma força incrível que havia sido movida por sua ansiedade.Mas, assim que chegaram à loja, o sorriso de Uruha desapareceu; a loja encontrava-se fechada.

- Nyaa! – resmungou o loiro, desapontado, com a cara grudada no vidro da vitrine.
- Como se você não tivesse bebida em casa. – Aoi soltou uma risada abafada no mesmo tempo em que revirou os olhos.
- Não aquela! – disse ele, apontando para uma enorme garrafa de sake nacional.
- Hmm... – Aoi pareceu pensar, enquanto analisava a garrafa para qual Uruha apontou. – Eu acho que tenho essa uma garrafa dessa em casa.
- Honto?! – indagou maravilhado.
- U-Un. – respondera ele, um pouco encabulado. O rosto de Uruha estava bem próximo do seu.
- Etto... – Uruha se enrubesceu e abaixou o rosto.
Aoi sorriu torto.
- Quer vir?
- Não vou incomodar, Aoi-kun? – Os olhos amendoados de Uruha estavam calmos, mas esperançosos. Não tinha como dizer não a ele, mesmo se quisesse. E não queria.
- Não. Não se preocupe. – O canto de seus lábios volumosos repuxara-se em um sorriso de canto.

Uruha sorriu animado, e, sem hesitar, envolveu seus dois braços em um único de Aoi, pendurando-se nele.

- Yosh! – O loiro exclamou. – Vamos lá!

Aoi corou suavemente, mas não deixou que Uruha o visse dessa forma, constrangido.

Andavam vagarosamente na madrugada leve e com uma brisa refrescante do outono.
Uruha, inconscientemente, acabou por estremecer assim que o vento, brevemente, soprou contra os dois.
A face do moreno voltara a ficar avermelhada quando este, para aquecer seu amigo, envolveu o braço em seu pescoço, puxando-o para mais perto de seu corpo.
O loiro surpreendeu-se, fazendo com que seu rosto também ganhasse uma cor rosada. Timidamente, ele levantou o olhar, fitando a face de Aoi. Este, por sua vez, encontrava-se com a cabeça virada para o lado oposto da face de Uruha, para que ele não visse o rubor que era presente em seu rosto.

- Arigatou, Aoi-kun. – agradeceru por fim.
- Não é nada. – respondeu ainda sem olhar para o rosto do loiro.

Não trocaram muitas palavras após isso, pois concluíram que o momento já era constrangedor por si só e não necessitava de palavras para, talvez, piorar a situação. O único comentário ouvido foi o de Uruha, qual elogiava a bela noite – ou madrugada - e, mas especificamente, a lua cheia prateada que pairava naquele céu negro límpido.

Não demoraram muito mais e chegaram à casa de Aoi.

- Ehh... Fazia tanto tempo que não vinha aqui! – disse Uruha, assim que Aoi fechou a porta. – Esse lugar não mudou nada. – Seus olhos vagavam pela casa admirados.

A casa realmente não havia mudado nadinha. O cômodo e os móveis – designadamente da sala de estar – só estavam sendo obstruídos pela quantidade enorme de fios de aparelhos eletrônicos, como: guitarras e amplificadores.

- É. – concordou ele. – Agora só está mais zoneado.
- Ah, não é tanto assim. – fez bico. – Nada que uma boa faxina não resolva. – Aoi revirou os olhos.
- Vou pegar a bebida.
- Ok. – Uruha sorriu.

Enquanto Aoi demorava-se na cozinha, Uruha dirigiu-se lentamente até o sofá, tomando cuidado para não pisar nos fios das guitarras e dos três amplificadores espalhados pela sala.
Sentou-se, e, enquanto o moreno demorava, acabou por admirar a noite, olhando o céu pela janela. Estava indeciso, perdido em seus pensamentos. Será que valia à pena contá-lo sobre seus sentimentos?

- Quer comer algo? – Aoi perguntou, aparecendo de surpresa segurando a garrafa com uma mão e o masu¹ de Uruha e o seu próprio com outra.
- Iie. Arigatou, Aoi-kun. – sorriu.
Aoi sentou-se, e, cuidadosamente, serviu Uruha, que o servira logo depois.
- Etto... Aoi-kun... – murmurou o loiro, analisando a bebida incolor posta em seu masu e apoiada em seu colo.
- Hm? – perguntara despreocupado, bebendo o líquido em uma golada só.
- Watashi... – murmurara novamente. Sua face agora possuía uma cor avermelhada.
- Nani? – indagou, não entendendo o motivo de Uruha enrolar tanto. Sempre era tão objetivo.

Ele, de repente, aproximou sua face do rosto de Aoi, fazendo com que este corasse bruscamente pela súbita aproximação repentina.
Ele o encarava completamente ruborizado, nervoso e confuso, mas Uruha não pareceu se preocupar com a expressão de Aoi, pois seus olhos amendoados encaravam os negros, ônix, de seu companheiro.
Uruha sentira sua face queimar de vergonha, timidez, mas não hesitou; juntou, brevemente, seus lábios nos grossos do moreno.
Aoi ficou atônito, seu corpo não reagiu à surpresa inesperada. Estava imóvel, pois sua mente processava diversas coisas ao mesmo tempo: sentimentos, lembranças, desejos... Tudo de uma vez só.
Seu coração palpitava ferozmente em sua caixa torácica e um friozinho peculiar desceu por sua barriga.

Uruha encontrava-se, praticamente, com todo seu sangue concentrado nas maçãs do rosto, de tão vermelho que estava. Chegava até a arder.

- Etto... – Uruha tentava achar palavras para se desculpar por seu ato, já que a expressão de Aoi não demonstrava a apreciação almejada.

Mas ele não conseguia montar as frases, pois estava eufórico, feliz, arrependido... Um misto de sentimentos embaralhava seus pensamentos.

- Gomen, Aoi-kun... Watashi... – Foi a única coisa que ele conseguira dizer antes de ser tomado pelos lábios ansiosos de Aoi.

A intensidade foi aumentando aos poucos, e Uruha acabava por deitar no sofá com Aoi sobre si. As bocas se roçavam lentamente, mas logo eram consumidas pelo desejo da carícia prazerosa que era obtida ao encostar das línguas.

Com o decorrer, os movimentos foram ficando cada vez mais determinados e, consequentemente, a temperatura dos corpos também foi aumentando.

A mão direita de Uruha pressionava a nuca de Aoi, para que os beijos ganhassem estabilidade.
Uma das mãos do moreno acariciava o corpo magro e de aparência frágil de Uruha, chegando a se demorar um pouco quando, por cima da calça, Aoi passou lentamente a mão pelo membro íntimo do loiro.

Aoi desviou seus lábios da boca de Uruha, dirigindo-se ao seu pescoço. Delicadamente ele passara a ponta de sua língua pelo lado direito do pescoço do loiro, e, assim que o sentiu estremecer, posicionou seus lábios e começara a sugar lenta e gentilmente, o pedaço da pele alva escolhida.
A mão de Uruha que se encontrava na nuca de Aoi subiu para seus cabelos negros, puxando-os delicadamente, de acordo com entusiasmo dos chupões em seu pescoço.
Com a outra mão livre, Uruha retirava ansiosamente a blusa social preta de Aoi, que por sua vez, o ajudou a encontrar os botões.

Aoi também com uma de suas mãos, adentrara a calça de Uruha, acariciando seu membro inferior ainda coberto pela samba-canção de seda carmim.
O loiro gemia ofegante, graças aos atos audaciosos de Aoi. Ao levantar o braço esquerdo que se encontrava do lado de fora do sofá, Uruha esbarrou sem querer, nas cordas de uma das guitarras de Aoi, pregando-os um susto pelo som que o passar dos dedos nas cordas fizera.
O moreno, ao ouvir o barulho, olhou rapidamente a face de Uruha – que encontrava-se úmida por causa do suor e avermelhada de constrangimento – e depois analisou o local em que se encontravam. Os únicos pontos visíveis na sala eram os altos, como: o próprio sofá, a estante da TV que possuía alguns livros, e a mesinha do computador. O chão mal se podia enxergar por culpa dos fios e aparelhos eletrônicos que estava espalhado sobre ele.

- Vamos para o meu quarto. – sugeriu por fim.

Aoi levantou-se e Uruha o seguiu, tomando uma certa cautela com os aparelhos distribuídos pelo piso de madeira clara.

Ao chegarem no quarto mal iluminado, Aoi fechou a porta, e, ao virar-se em direção ao seu futon, suas sobrancelhas se uniram. Uruha não encontrava-se em seu quarto.
Assim que pensou em virar o rosto para procurá-lo, sentiu algo gelado e úmido tocar de leve a pele alva de seu pescoço, fazendo com que todos os pelos de seu corpo se arrepiassem.
Uruha pousou suas mãos largas sobre as costas – igualmente largas – de Aoi e o empurrou lentamente até o futon.

Assim que chegara ao pé do colchão, Aoi se virou de frente para o loiro, o qual sorriu ao ver os olhos negros do moreno.
Aoi deitou de barriga para cima no futon branco de algodão, logo seguido por Uruha que deitara sobre o peito nu do moreno.

A boca de Uruha encontrara-se novamente com a de Aoi, entrelaçando-se docemente.
Já sem sua camisa, o dono dos orbes negros retirara – sem o menor cuidado ou delicadeza – a blusa que cobria o peito magro do loiro, deixando a pele branca de seu peitoral exposto.
Enquanto Uruha mantinha-se sobre Aoi, ele também retirava a calça deste, enquanto o loiro também desabotoava o jeans escuro do moreno, mostrando a samba-canção igualmente de seda, porém, esta possuía a cor azul-marinha.

As línguas tinham movimentos vorazes dentro das bocas, assim como os toques precisos de ambos.
Em um breve momento, Aoi ficou sobre Uruha, agora com seus lábios arrastando gentilmente por seu peitoril despido.
O loiro deslizava as mãos pelas costas largas do moreno, arranhando-as de acordo com a intensidade dos movimentos de Aoi, causando-o arrepios.
Assim que o moreno levantara um pouco seu rosto, Uruha passara a língua lentamente no lóbulo de sua orelha.

Aquela noite parecia ser interminável.

-

Aoi encontrava-se com suas pálpebras fechadas, sua respiração era lenta e tranquila. Dormia calmamente em um sono, aparentemente, profundo.
Uruha por sua vez estava com seu rosto apoiado no peito descoberto do moreno, mas, ao contrário deste, o loiro não dormiu; havia passado o resto da noite em claro.

Assim que o relógio em cima da mesinha-de-cabeceira próxima ao futon marcou sete da manhã, Uruha pensou em levantar-se, pretendendo ir até o banheiro para lavar o rosto, e, quem sabe, preparar um café da manhã para si e para Aoi.
Mas, assim que desencostou sua cabeça do tórax magro e definido, o moreno o puxou bruscamente, fazendo-o voltar a deitar em seu peitoril.

- Onde pensa que vai? – murmurou ele com a voz sonolenta e rouca, mordendo levemente a bochecha de Uruha, longo depois passando seus lábios em direção à orelha do loiro.

O mesmo não respondeu; apenas sorriu, e, delicadamente, encostou sua boca nos lábios fartos de Aoi, envolvendo-se num terno beijo.
Às quatro da tarde, eles se apressaram para chegar no YOKOHAMA ARENA, o local onde fariam o show, daqui a, exatamente, quatro horas.

- Estão atrasados. – murmurou Ruki carrancudo, enquanto o cabeleireiro arrumava suas madeixas.
- Ehh... – concordou Reita. – Onde estavam, hã?
- Etto... – começou Uruha, corando com a observação. Olhara rapidamente a face de Aoi, mas seu rosto era inexpressivo.
- Ele estava na minha casa. – pronunciou-se o moreno por fim, mantendo sua pose ponderada.
- Rá! – Reita sorriu orgulhoso, colocando um braço sobre o ombro de Aoi e outro sobre o de Uruha. – Mais dois para o clube! – Aoi bufou, enquanto a face de Uruha avermelhava-se mais ainda. – Agora só falta o Kai-chan. – O dono da faixa branca que encobria seu nariz sorriu maliciosamente para Kai, enquanto este se aprontava na frente do espelho, ajeitando suas trancinhas de dread que estavam fora do lugar.
- Ehh, não começa, Reita-san. – O rosto de Kai ganhou uma cor rosada. – Você sabe que eu estou firme com a Ryn-chan.
- Yare, yare. – ele riu enquanto o reprovava, balançando sua cabeça em forma negativa. – Nada que eu não resolva.
- Não se atreva, Reita-san! – Os olhos de Kai o encararam com indignação.
- Ehh, relaxa, Kai-chan. – O loiro colocou as palmas das mãos para frente e ergueu um pouco os braços, como quem se desculpa. – Eu só estava brincando. – Kai suspirou aliviado.
- Ehh, minna... – pronunciou-se Ruki, pulando do banquinho em que se encontrara para que o cabeleireiro pudesse arrumar seu cabelo. – Parece que hoje estamos mais unidos do que nunca. – sorriu juntamente com os outros. – Então vamos fazer deste show um ótimo e especial evento, ok?! Vamos arrasar! – exclamou ele, erguendo os braços pequeninos.
- Isso aí, Ruki-chibi! – aprovou Reita. – We rock!
Todos juntaram suas mãos, uma por cima da outra.
- Ichi. – Pronunciou-se Ruki.
- Nii. – Kai dissera.
- San! – Falou Aoi por último.
- Gazetto! – gritaram todos em uníssono.

Abraçaram-se os cinco ao mesmo tempo.

“A estrada que estamos andando agoraApesar de estar protegida com um muro altoNão pare, apenas atravesse-oE siga em direção aos seus sonhosAmigos, risos e um brilhante EU estarão lá” ~ Best Friends, the GazettE.


¹masu: É o copinho de madeira usado para se tomar sake ^3^ ~.

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Espero que tenham gostado, nee, minna! *-*~ Logo teremos mais histórias, ok? Essa foi apenas para abrir o blog q